GUERRA...COMO CUIDARMOS DA PAZ?
Uma nova guerra acaba de estourar. O que é que cada um de nos
poderia fazer? Muitos estão me perguntando como a Unipaz e eu mesmo
nos situamos em relação á esta guerra.
Bem cedo na minha existência recebi lições práticas
á respeito. Quando estourou a segunda guerra mundial eu tinha quatorze
anos. Fiquei em dúvida se deveria continuar os meus estudos secundários.
Um dos meus educadores me aconselhou de cuidar da minha evolução
apesar da guerra. É o que eu fiz, e não me arrependo. Aprendi
á me adaptar á todas as situações. Com dezesete
anos senti dentro da minha consciência um chamado para ajudar a
guerrilha á expulsar os nazistas da França. Lá foi
eu. Mas recusei pegar em armas quando me pediram para escolher uma metralhadora.
Me aceitaram como enfermeiro da cruz vermelha. Eu não queria matar
e assim foi ser guerrilheiro sem matar ninguém. Assisti á
horrores, á massacres, gente fugindo; criei um centro de acolhida
de refugiados. Em suma fiz o que estava ao meu alcance de fazer.
Com este aumento da violência no mundo e o estouro desta guerra
contra o terrorismo, a minha postura continuou a mesma. Vou continuar
o que estou fazendo, cuidar da Educação para a Paz. É
o que está ao meu alcance. É o que está nas mãos
de todos os meus amigos e colaboradores da Unipaz.
A Unesco declarou na sua criação que "as guerras nascem
no espírito dos homens, logo é no seu espírito que
precisam ser erguidos os baluartes da Paz". Nestes quinze anos, fizemos
estudos e pesquisas sobre como nascia e se desenvolvia a violência
e chegamos a descrever este processo em várias publicações.
Partindo deste estudo montamos um novo método de educação
e de organisação, cujo modelo tem muitas aplicações
práticas. No dia 11 de Setembro, dia dos atentados de Nova York,
redigi uma Cartilha da Paz, que resume todo este trabalho. (www.unipaz.org.br
).
Para nos fica claro que a Paz não é ausência de guerra.
Nenhuma guerra seguida de tratado de paz introduziu Paz no mundo. A história
da humanidade está aí para o demonstrar. Nem o fim desta
guerra que acaba de iniciar vai levar á Paz. Para nós está
bastante claro que a paz é produto de uma visão que abrange
o indivíduo, a sociedade e a natureza, e que em cada um destes
aspetos precisamos levar em consideração, aspetos ligados
á matéria, á vida e ao programa do universo, sem
contar uma perspectiva ligada aos valores superiores, da Beleza, do Amor
e da Verdade, entre outros.
Cada ser humano vivendo neste planeta precisa descobrir que se torna violento
a cada vez que alguém ameaça algo á que esta apegado
e que o tornou possessivo. A possessividade de objetos, terras, pessoas
ou mesmo idéias está na raiz da violência interpessoal
ou internacional. Apego á terras e territórios, apego á
idéias religiosas ou políticas constituem verdadeiros venenos.
O conflito atual está sendo uma grande oportunidade de refletir
sobre as suas raízes profundas, e não faltam debates nas
mídias entre políticos, economistas, psicólogos,
antropólogos e ecologistas e teólogos sobre a situação.
A própria possessividade repousa sobre a crença de que cada
um de nós está separado do mundo exterior e dos objetos
e seres que o compõe. Ora a ecologia ambiental mais particularmente
está á nos mostrar o que todas as tradições
espirituais nos afirmam, isto é que tudo depende de tudo, que nada
é separado de nada. Estamos vivendo num todo interdependente. Muito
mais nos somos esse Todo. Viver o amor e a compaixão em nosso coração
e a Sabedoria brotando no nsso espírito, são os antídotes
á qualquer violência. Ferir outrem é como ferir á
si mesmo.
Por isto é necessária uma visão holística
e transdisciplinar que ultrapassa de muito visões fragmentadas
de cada disciplina seja ela de natureza psicosomática, sócio
econômica, cultural ou ambientalista.
Se queremos a verdadeira Paz que começa dentro de cada um de nos,
precisamos nos livrar de todos os 'ismos" e os ultrapassar, com amor
e sabedoria. Se cada um de nos cuidar de despertar e alimentar a Paz no
seu coração e no seu cotidiano, estaremos dando a melhor
e mais eficaz contribuição dentro dos nossos limites. Mãos
á obra!
Pierre Weil
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