BRASIL: TERRA DO ABRAÇO

A violência impera no Mundo, e infelizmente está invadindo o Brasil, esta terra com gente maravilhosa, carinhosa e acolhedora. O Brasil é uma cultura de Paz, pois a sua gente tem uma índole pacífica. É um dos raros paises do Mundo que praticamente não fez guerra em quinhentos anos; a do Paraguay não foi o Brasil que a começou. E nas duas guerras mundiais participou mais no fim, para ficar do lado dos aliados.

Moro no Brasil há mais de cinqüenta anos e uma das causas que me retiveram foi o abraço brasileiro. Só no Brasil que existe um gesto habitual tão carinhoso. Eu costumo dizer que entre as possíveis exportações brasileiras figura o abraço. O Brasil tem muitos abraços para exportar. Eu quero dizer com isto que o Brasil pode dar ao mundo um exemplo de como se pode viver em harmonia, com ternura e compreensão recíproca. Por exemplo, enquanto muçulmanos e judeus estão a se massacrarem reciprocamente, no Brasil convivem numa boa, cultivando amizade irrestrita.

Interessado na linguagem do corpo descobri aos poucos que havia vários tipos de abraços sobre usuais não escrevi nada no meu livro "O Corpo Fala", porque naquela época desconhecia o assunto.

Primeiro a origem do abraço. Parece que o abraço nasceu da desconfiança entre os garimpeiros: para verificar se estavam armados, passavam ^reciprocamente as mãos atraz das costas; se não tinha nem faca nem revolver, podiam entrar em relação mais amistosa... Devo reconhecer que não gostei da história, nem acreditei muito nela. Mas quem sabe?

Há uma variedade de abraços. O abraço mais freqüente é o abraço caloroso, que se dá depois de uma longa ausência, uma forma de expressar e matar a saudade. Amigos que se encontram por acaso podem também expressar a sua surpresa.

Num outro extremo se situe o abraço superficial; consiste em dar umas tapinhas nas costas, acompanhado numa exclamação morna: "Você está bom?". Este abraço apareceu mais recentemente, à medida que os costumes se globalizam e que o Brasil perde as suas característica culturais próprias. Há também o medo de ser considerado como homossexual, o qual surgiu com o aparecimento dos estudos sobre a sexualidade. Muitos são os homens que ao se despedirem, nem abraço mais se dão; apenas declaram com uma voz um tanto formal: "Tchau! Um abraço! Até a próxima!".

Interessante é observar os abraços entre homens e mulheres. Há em primeiro lugar o abraço afetuoso e amigo, dos que se conhecem há muito tempo; o seu espírito é muito diferente do abraço dos que constituem um par, amantes ou casados. Nos que não são nem amigos íntimos nem amantes, existe um abraço intermediário que eu chamaria de abraço cauteloso, pois ele consiste em mostrar afeto mas sem que o outro possa suspeitar alguma segunda intenção sensual...

Bem, o que eu queria mostrar, é que o Brasil valores muito até hoje, o afeto e sua expressão corporal nas relações humanas.

Se todo mundo se abraçasse, as guerras e a violência seriam impossíveis! Precisamos exportar o abraço brasileiro, antes que ele morra!

Pierre Weil