A ARTE DE VIVER EM PAZ COM OS OUTROS. UMA QUESTÃO DE ECOLOGIA SOCIAL

Se despertarmos a paz dentro de nós, conforme as recomendações da primeira parte desta explanação, seremos aptos a viver em paz com os outros, isto é, com os familiares, os amigos, e assim por diante.

Mas a ecologia social exige de nós uma consciência e uma vigilância constante se queremos ser verdadeiros cidadãos do mundo em que vivemos. Assim sendo, precisamos levar em consideração a cultura que nos influencia o tempo todo, a vida social e política e, além disto os aspetos econômicos como por exemplo a nossa relação com o dinheiro.
  • A PAZ NA CULTURA

    Precisamos em primeiro lugar definir o que entendemos por cultura de uma determinada sociedade.

    A cultura é um conjunto de normas, de leis jurídicas, de costumes, de produções literárias e artísticas, de hábitos que caraterizam a sociedade, a diferenciam de, ou se assemelham á uma outra sociedade, e ditam a maneira de ser de cada um dos seus cidadãos. Por exemplo, enquanto o inglês, para cumprimentar um amigo, acena com a cabeça, o indiano se curva e junta as mãos, o francês dá as mãos, e o brasileiro dá um abraço com o seu corpo inteiro.

    A cultura por conseguinte dita o que é que deve ser considerado como normal. Ora nem tudo que é visto como sendo normal é sadio e construtivo. Por exemplo; fumar era ainda há pouco tempo considerado como normal, inclusive o fato de aspirar a fumaça dos outros.

    Hoje o ato de fumar é considerado como anormal e nocivo. E, assim como o mostra este exemplo, há muitos hábitos ou mesmo leis que ditam normas, mas são na realidade nocivos a saúde, a harmonia e a paz.

    Por isto que cuidar da paz na cultura, exige do cidadão uma vigilância constante e permanente, em duas direções simultâneas.

    De um lado ele precisa constantemente estar consciente dos aspetos em que ele mesmo se deixa levar pela cultura em que vive, decidindo se isto lhe convêm do ponto de vista ético.

    De outro lado, naquilo que não convém seguir do ponto de vista da ética, ele poderá, se assim o quiser ou puder, atuar para modificar os aspetos nocivos da cultura

    Por exemplo, é normal comer açúcar refinado, pois todo mundo o faz. Mas se você descobrir que isto afeta os seus dentes e seus ossos e que o açúcar mascavo é mais saudável e nutritivo, será um ato consciente e bastante razoável se limitar a consumir açúcar mascavo.

    Outro exemplo. Atualmente é normal assistir os programas violentos na TV. Mas se você descobrir que isto lhe torna pessoalmente tenso e lhe tira a paz interior, você pode decidir parar de assistir os filmes de terror.

    Se além disto você tomar conhecimento das pesquisas da UNESCO sobre a influência destrutiva dos programas violentos na TV sobre as crianças, você pode decidir aderir a um movimento para reduzir estes programas ou mesmo procurar o deputado da sua região pedindo para apresentar um projeto de lei neste sentido.

    Tudo isto poderá ser feito de modo calmo e harmonioso, isto é, sem perder a Paz pessoal.

  • A PAZ NA VIDA SOCIAL E POLÍTICA

    Desde muito cedo na nossa infância, estamos estimulados a disputar vagas, prêmios, medalhas, lugares com os irmãos, os colegas de escola e depois de trabalho. Vivemos num mundo de competição que leva aos conflitos, violências e guerras

    Se você quer contribuir para um mundo de paz, começa por examinar o quanto você mesmo se deixa levar por esta competição desenfreada, muitas vezes sem necessidade. Diminuindo a sua luta permanente pelo poder na família, no trabalho e até nos jogos esportivos ou não, você viverá mais em paz com os outros e poderá a sua contribuição para a paz social.

    E, se for pai, mãe ou educador, introduz jogos cooperativos no seu arsenal de brinquedos, e tira os brinquedos de violência e guerra, que levam a criança a considerar o ato de matar e a guerra como algo normal

    E se você se considerar como sendo um cidadão livre e consciente, você tomará bastante cuidado para evitar se deixar embarcar em movimentos ideológicos que criam hostilidade e conflitos violentos com tudo que não adere e não comunga com eles. Pois uma das causas de brigas entre pessoas ou grupos, e de guerras civis ou internacionais costuma ser a intolerância ideológica, seja ela de ordem política, religiosa ou filosófica.

    Se você quiser ficar em paz com os outros, seja tolerante com quem tiver opiniões políticas e religiosas ou outras idéias diferentes das suas.

  • A PAZ ECONÔMICA

    Uma das maiores fontes de conflito e de violência é a disputa da posse de bens materiais, mais particularmente o dinheiro.

    Também podemos considerar como motivo de perda da paz interior, toda preocupação exagerada pelo dinheiro, resultado de uma das emoções destrutivas já citadas, o apego e a possessividade.

    Quem passa fome por não ter emprego ou por ter perdido o seu, tem um motivo bastante justificado de se preocupar em ganhar dinheiro. Para os excluídos, a necessidade de ganhar dinheiro é uma necessidade vital e fora de qualquer espécie de contestação.

    O que estamos procurando apontar aqui, são os cidades que procuram desesperadamente, sem nenhuma razão objetiva, alcançar uma meta indefinida e vaga: tornarem-se ricos e poderosos; apontamos também os que já se encontram nesta situação e querem mais e cada vez mais, numa busca infinita.

    O que eles tem em comum, é a perda da paz por causa de uma vida agitada, de um work, que só pode os levar para o estresse e a doença.

    Eles fazem parte de um sistema econômico que os leva a consumir cada vez mais.

    Se você sentir que está preso nesta engrenagem, qualquer que seja o seu nível econômico, dê uma paradinha para examinar a situação.

    Procure então ficar plenamente consciente de quais são as suas verdadeiras necessidades e qual o conforto essencial para você.

    Durante este exame você talvez vai descobrir que suas metas são exageradas e que na realidade você não precisa de tantos bens para viver feliz e em paz.

    Você talvez chegue a conclusão que você está se acabando nesta busca insana, ou que você poderia gastar o seu tempo com os que você ama ou ainda consagrando este para fazer o que você sempre sonhou, como por exemplo viajar ou mais simplesmente ainda, contemplar o pôr de sol...

    O cidadão dentro de você talvez descubra também que milhões de pessoas do terceiro mundo resolverem, depois de um exame de consciência, entrar num movimento de simplicidade voluntária. Ao reduzir o seu consumo ao mínimo necessário, eles estão contribuindo para diminuir o consumo e através desta diminuição reduzir os estragos causados pela destruição sistemática da vida no Planeta.

    Isto será uma grande contribuição para Ecologia da Natureza, da qual iremos tratar a seguir.

    Mas antes, uma pausa para uma auto-avaliação da sua Paz com a Sociedade:

ESCALA DE AVALIAÇÃO


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A ARTE DE VIVER EM PAZ COM A NATUREZA. UMA QUESTÃO DE ECOLOGIA AMBIENTAL

CONCLUSÃO: SEJA UM BEIJA FLOR DA PAZ


Se preferir:

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Nota:
O presente texto é uma contribuição da UNIPAZ - Universidade Holística Internacional de Brasília e da Fundação Cidade da Paz, para a Direção, os Funcionários e os Clientes do Banco do Brasil.

Pierre Weil