VIOLÊNCIA SELVAGEM E VIOLÊNCIA GRATUITA: MAIS UM RETROCESSO?

Até pouco tempo, embora condenável de um simples ponto de vista ético ou mesmo simplesmente humano, a violência tinha ainda uma certa lógica interna. Era possível entender o porque do massacre, do crime, da tortura, ou das ameaças à integridade e à vida.

Um novo tipo de violência está aparecendo no cenário da destrutividade humana: a violência gratuita que podemos definir como a violência pela violência.

Um exemplo é o que aconteceu na Chechênia. Grupo desconhecido invade de noite, a sede da Cruz Vermelha e mata todas pessoas presentes. Um detalhe da perversidade e selvajaria é o fato de que as vítimas estavam dormindo, logo eram desprovidas de defesa e sem consciência do que estava acontecendo. Além disto, praticamente todas eram membros de um corpo de saúde, médicos, enfermeiras, todos voluntários provindos de outros países; eram movidos pelo coração e por um alto ideal humanitário. Nem eram eles do país onde a violência ocorreu. Aliás escolher vítimas que não tem nenhuma relação com o motivo do atentado, virou moda em grande parte das seqüestras. O caso de diplomatas é bem característico; mais uma vez, se escolhe pessoas dedicadas pela sua profissão a servir à paz e boas relações entre as nações.

Os sentimentos que provocam no público variam entre a consternação, revolta, violência, são justamente o que eles querem provocar nas autoridades e no público com o fim de obter resgate ou atendimento às condições políticas ou ideológicas, ou simplesmente sem fim nenhum, a não perversidade, sadismo ou simples maldade.

Como todo mundo me sinto muitas vezes tomado de um sentimento de impotência.

Soluções policiais ou judiciais podem ajudar até um certo ponto e atendem ao curto prazo ou prazo médio; no fundo são apenas paliativos. Solução para o problema da violência precisa visar o longo prazo e ser o resultado de uma ação cultural e educacional inter e transdiciplinar tal como aqui estamos realizando atualmente na UNIPAZ de Brasília em cooperação com entidades públicas e privadas do país e do mundo em apoio a um vasto transacional da UNESCO. Trata-se de transformar a Cultura de Violência do Mundo Contemporâneo em Cultura de Paz.

Pierre Weil