VIOLÊNCIA RELIGIOSA E SEITAS
Fala-se ultimamente muito em seitas, em virtude de abusos cometidos por seus membros: abusos sexuais, suicídios coletivos, sacrifícios humanos entre outros. Podemos nos perguntar se justifica o uso do vocabulário seita, exclusivamente para estes casos? Não estaremos cometendo alguma injustiça, misturando, grupos humanos anodianos com grupos perigosos?
Vamos primeiro aos dicionários. Todos os que consultei falam em grupos unidos por uma ideologia que os faz se insolarem dentro de uma religião criando uma certa intolerância ou desprezo em relação ao mundo externo; nota-se também tendência ao fanatismo e fechamento a qualquer diálogo externo, por mais razoável ou conciliador que seja. Certas definições incluem a dominação de um dirigente e a aceitação e submissão incondicional às suas decisões.
Nenhum dicionário se refere aos abusos praticados acima referidos. De fato existem inúmeras seitas que praticam os seus rituais e estudam sua ideologia própria já fazem séculos e que nunca prejudicaram ninguém. Muito antes pelo contrário: muitos estimulam os seus participantes ao seu desenvolvimento espiritual e a prática do bem, da generosidade e do altruísmo.
Estes grupos não devem ser confundidos por casos evidentemente patológicos, em que dirigentes mentalmente perturbados, induzem os seus adeptos a matarem ou suicidarem. O que conseguem, na maioria das vezes em nome de ideais muito potentes como os de salvar a humanidade do demônio ou em virtude de profecias apocalípticas. Se suicidam para evitar sofrimento maior na data prevista ou para evitar o evento através do sacrifício. São casos de psiquiatria e de proteção jurídica. Estes precisam ser feitos dentro de critérios estabelecidos por estudos interdiciplinares que integram teologia, parapsicologia e psiquiatria. Seria contrário á democracia de generalizar casos isolados impedindo o livre exercício e expressão do pensamento, religiosos ou não.
Isto implica evidentemente que a tolerância se estende aos grupos extremistas fundamentalistas de várias religiões que, em nome de interpretações dos textos sagrados de modo rigorosamente dentro da letra e não dos espíritos em que foram redigidos, querem excluir de todos os modos, os que não aceitam as suas interpretações. Estamos diante de uma grande questão: podemos, em nome de princípios democráticos, tolerar a intolerância que provoca guerras e terrorismos?
Pierre Weil
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