TOLERÂNCIA: QUALIDADE INDISPENSÁVEL PARA A PAZ
O mundo está festejando os 50 anos da Organização da Nações Unidas. Muitos acordos de Paz se devem a este organismo. Um esforço muito grande está também sendo feito para defender os direitos humanos e para salvar a vida neste Planeta.
Mas os seus dirigentes se deram conta de que algo está fazendo falta nestes programas, algo que toca no âmago de cada cidadão desta terra. Quando foi fundada a UNESCO já afirmava no seu preâmbulo que "a Paz se encontra no espírito dos homens". É pensando nisto que a ONU lançou a idéia do Ano da Tolerância.
É de tolerância que o mundo atual mais precisa. Tolerância tem muitas facetas. Em primeiro lugar, para ter tolerância com os outros, é preciso aprender a ter tolerância consigo mesmo. Como podemos ser tolerantes aos erros dos outros se somos demasiado rígidos conosco mesmos? Pode se observar que justamente os mais rígidos que são os mais intolerantes.
Todos nos termos, de vez enquanto sentimentos de ciúme, de raiva, de egoísmo ou mesmo de superioridade que gera vaidade e orgulho. É aconselhável, se queremos desenvolver a tolerância, observar constantemente o aflorar destas emoções altamente destrutivas; pois elas nos destroem tanto a nós como os outros. Observar significa tomar consciência da sua existência no momento que aparecem; então eles se dissolver e se transformam em compreensão, compaixão e amor. Pois a energia é a mesma. Precisamos aprender a transformá-la. Isso que é sabedoria.
A media que lidamos com as nossas próprias emoções destrutivas, surgirá a tolerância para com os outros. A psicanálise tem demostrado que quanto mais nós reprimimos este sentimentos destrutivos, mais temos tendência a projetá-los nos outros. A projeção é um caminho de defesa contra o sentimento de culpa de estarmos destrutivos. Então é bom e reconfortante encontrarmos colegas. E eles não faltam.
Assim, em segundo lugar, aprendemos a ser tolerantes com os outros e com a sociedade. Em vez de só acusar o colega, o chefe ou o sistema de todos os nossos males, precisamos também encontrar a nossa co-responsabilidade do que acontece fora de nós; se tem fome, miséria, pobreza, ignorância e corrupção, nós também somos responsáveis por isto.
Cuidamos de nós mesmos, e façamos a nossa parte. Buddha já dizia: "Se tu apontas um dedo em direção ao outro para acusá-lo, tem três dedos apontados para ti mesmo..." E Jesus disse: "Tu vez a palha no olho do outro mas não vez a trava que está no teu...".
Há no entanto um aspecto da tolerância que me parece um verdadeiro desafio da nossa época; é o seguinte: podemos ser tolerantes para a intolerância? Sobretudo para as formas violentas da intolerância ideológica, religiosa, política e nacionalista. Cada um destes termos gerou guerra no passado; infelizmente nada mudou até hoje. Novos fanatismos estão nascendo, cheios de potencial de guerra e de agressão. Será que temos de cair no paradoxo: ou sermos intolerantes à intolerância? Talvez a única resposta positiva seja a Educação para a Paz e a Não Violência em escala mundial. É o que a UNESCO e a UNIPAZ de Brasília estão tentando.
Pierre Weil
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