TEXTOS SAGRADOS: SEUS DOIS SENTIDOS

Já bastante sabido que muitos textos sagrados tem a possibilidade de serem interpretados de várias maneiras conforme o nível de compreensão de quem deles faz uso.

No Evangelho, por exemplo existe o sentido esotérico destinado aos que tem pouca capacidade de compressão e o sentido esotérico aos que já tem um certo grau de treino ou iniciação. Por exemplo quando os discípulos diretos de Jesus perguntaram porque ele usava parábolas, ele respondeu que estas eram destinadas ao povo, enquanto que para eles, os seus discípulos ele não precisava deste tipo de linguagem.

Os tibetanos distinguem mesmo três níveis diferentes de compreensão dos seus textos sagrados a saber: o esotérico, o esotérico e o secreto. Os dois primeiros tem um sentido equivalente ao Evangelho; quanto ao último, o secreto, se refere à níveis dos quais não temos consciência, quer dizer para os quais temos de mudar de estado de consciência para entender de que se trata.

A palavra de Deus no Antigo Testamento, no texto hebraico, é típico dos três usos. Para a religião judaica a representação de Deus, tal como é na realidade, é impossível de ser alcançada em estado corriqueiro da consciência, isto é para o ser humano comum. Os Judeus sabiam que qualquer nome que se desse a divindade provocaria uma representação mental e assim, através desta limitação, tornaria impossível a experiência divina no seu sentido místico. Por exemplo, a simples palavra Deus evoca em cada um de nós formas diferentes em nossos condicionamentos, por exemplo, tais como um barbado sentado em cima de um trono.

Assim sendo o nome de Deus em hebraico, representado por quatro letras impronunciáveis JHVH.

Estas letras ou Tetragrama foram ignorados nas traduções para o grego e para o latim, nas quais só aparecem nomes simbólicos tais como "Nosso Senhor" ou "Nosso Pai". Enquanto estes símbolos bastam para a compreensão popular, o Tetragrama é objeto de interpretações numerológicas pelos cabalistas.

Linguagem simbólica esotérica também foi utilizada para designar o estado de consciência transpessoal ou místico do despertar ou da iluminação e para os métodos para chegar nele. Por exemplo o "Reino do Pai" ou "Reino do Céu" significa o estado de consciência de Transpessoal. Para despertar este estado diz o Evangelho que é preciso "voltar a ser criança" quer dizer voltar á visão pura própria á ingenuidade infantil. É preciso também "Morrer a si mesmo", que significa dissolver o nosso Ego para chegar a "Vida Eterna", isto é a realização da verdadeira natureza do Espírito.

Escrevemos estas linhas para mostrar o cuidado que se precisa em interpretar os textos sagrados ao pé da letra o que leva os erros cujas conseqüências podem ser desastrosas, podendo até serem causas de conflitos e guerras religiosa.

Pierre Weil