REPARADIGMATIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES

Já vimos em artigos anteriores que as Universidades estão acompanhando de modo inconsciente e impotente a crise de fragmentação que assola o nosso conhecimento e todas as atividades da nossa civilização. Mostramos que estamos em plena mudança de paradigmas, isto é dos princípios que fundamentam a ciência, a filosofia e a arte.

Diante do surgimento de novos paradigmas fundamentados não somente nas recentes descobertas da Física e da Psicologia Transpessoal, mas ainda pela aplicação da Declaração de Veneza da UNESCO que recomenda o encontro complementar da Ciência e das grandes tradições Culturais da Humanidades, está se revelando uma necessária reformulação dos princípios básicos que regem as Universidades atuais para em seguida cuidar da atualização destes princípios. Pois como mostramos anteriormente a mudança de paradigmas vai afetar sensivelmente o modo pelo qual serão orientadas as Universidades no futuro. Novas estratégias serão necessárias paras estas novas Universidades ou estas Universidades renovadas.

O maior desafio será o de encontrar fórmulas que, ao mesmo tempo respeitam as aquisições indiscutíveis e benefícios prestados pelas milhares de disciplinas e interfaces existentes e restabelecer o fio condutor e o elo perdido que as unem num só sistema.

Na UNIPAZ, que foi em grande parte criada com este objetivo, iniciamos nestes sete últimos anos, uma série de experiências inter e transdisciplinares, sob forma de grupos de trabalho, projetos e programas de natureza holística de atividades educacionais em nível de sensibilização, formação e pós-formação, atingindo faixas etárias, maternal, pré-escolar até adultos.

Destas experiências podemos tirar algumas diretrizes que nos parecem ser de utilidade para outras Universidades que pretendem proceder à uma reparadigmatização. Eis um resumo destas recomendações:
  1. A iniciativa e a estratégia de reparadigmatização deve para ser eficiente e respeitada, e partir da Reitoria com colaboração efetiva das pró-reitorias.

  2. A reparadigmatização precisa começar por um programa de implantação de uma nova cultura organizacional dentro dos moldes preconizados por nós em publicação recente. Além das necessidades das Pessoas e da produção, esta nova cultura precisará visar a plenitude que inclui uma nova Ética.

  3. Precisar-se-á implantar um sistema de formação Holística de Base, que tenha objetivo de integrar, no plano individual, o corpo, as emoções, a mente e o espírito; no plano social a cultura, a vida política e a economia e no plano da natureza a matéria, a vida e a programação dos sistemas do Universo.

    A nossa experiência mostra que as pessoas que passaram por este tipo de formação na nossa Universidade, adquiriram uma nova visão, uma nova maneira de ser e de se relacionar consigo mesmo e com o mundo. a revolução paradigmática começa por si mesma.

  4. Assim sendo, a mudança paradigmática não pode se restringir a uma mudança de opinião intelectual, à uma nova tomada de posição teórica. Se as coisas acontecerem deste modo, a mudança terá fracassado. Ela precisa ir além das opiniões e atitudes, alcançando o nível efetivo do comportamento emocional e ético.

  5. Práticas interdisciplinares e transdisciplinares se revelam indispensáveis dentro das disciplinas, entre as disciplinas dentro da Ciência, da Filosofia, da Arte e das Tradições Espirituais, assim como, entre estas quatro vertentes do conhecimento.

  6. A Formação Holística de Base pode servir de fundamento para Mestrado e Doutoramento holístico destinado à todas as disciplinas da Universidade, a exemplo do que já existe na Universidade do Ceará.

  7. Como já o expressamos anteriormente, a estratégia de mudança de paradigma, precisa ter como base uma teoria fundamental explícita, consciente, lúcida e atualizada. Esta última condição é indispensável para garantir uma permanente renovação em função da evolução epistemológica. Assim se evitará a estratificação, esclerose e rigidez próprios à doutrinas dogmáticas. Para isto há necessidade da participação dos conselhos universitários e principais órgãos representativos de Faculdades e Departamentos.
Em outras palavras, uma mudança de paradigma numa Universidade não pode ser apenas obtida por uma portaria ou simples decisão autoritária, mas deve ser objeto de uma estratégia institucional com medidas a curto, médio e longo prazo.

Pierre Weil