QUALIDADE DA RELAÇÃO: AS DUAS ATITUDES FUNDAMENTAIS PERANTE A EXISTÊNCIA

Durante 30 anos da minha existência, como Psicoterapeuta, descobri aos poucos que, subjacentes à nossa atuação terapêutica há dois grandes sistemas de valores, que constituem ao mesmo tempo duas opções de qualidade de vida.

O primeiro sistema enfatiza o indivíduo e a satisfação das suas necessidades. Esta postura faz parte das psicoterapias que procuram reforçar o chamado ego-consciente.

A postura fundamental nas relações interpessoais deste sistema foi muito bem traduzida num poema de Fritz Pearl, que reproduzimos aqui.
EU NÃO VIM A ESTE MUNDO
PARA ATENDER ÀS SUAS EXPECTATIVAS
VOCÊ NÃO VEIO A ESTE MUNDO
PARA ATENDER ÀS MINHAS EXPECTATIVAS.
EU SOU EU,
E VOCÊ É VOCÊ.
SE NOS ENCONTRARMOS,
SERÁ LINDO,
SENÃO, NADA HÁ A FAZER.
Na Primeira parte da minha vida de terapeuta, achei esse poema lindamente realista.

Mas aos poucos observei que as pessoas que o preconizavam apresentavam uma grande instabilidade nas suas relações amorosas.

Atribui isto ao fato de que as nossas necessidades evoluem; evolução esta que gera grandes descompassos e rompimentos às vezes dolorosos.

Em virtude dessas observações e levando em conta as psicoterapias cujos valores se baseiam, não somente nas necessidades básicas mas nos valores superiores da humanidade, tão bem descritos por Abrahan Maslow; tais como, a verdade, a beleza, a bondade, a plenitude, a felicidade, a compaixão e solidariedade; me veio o seguinte poema, como resposta ao de Fritz Pearl.
EU VIM A ESTE MUNDO PARA CONTRIBUIR PARA A FELICIDADE
DE TODOS OS SERES, INCLUSIVE A SUA E A MINHA.
VOCÊ TAMBÉM VEIO A ESTE MUNDO PARA CONTRIBUIR PARA A FELICIDADE
DE TODOS OS SERES, INCLUSIVE A SUA E A MINHA.
SE UNIRMOS OS NOSSOS CORAÇÕES COM ESTA FINALIDADE
ENTÃO JUNTOS ABRIREMOS O CAMINHO
DA DESCOBERTA DA VERDADEIRA NATUREZA DO ESPÍRITO;
VOCÊ E EU SOMOS ELE.
CASO CONTRÁRIO,
NÃO HÁ NADA QUE SE POSSA FAZER.
TEREMOS VIVIDO EM VÃO,
NUMA TROCA DE SATISFAÇÕES PESSOAIS E PROVISÓRIAS
DE NOSSAS NECESSIDADES MÚTUAS.
Estes dois poemas podem ser objeto de trabalhos de grupos de discussão para estudantes e terapeutas em formação, pois eles são testemunhas da passagem do antigo paradigma mecanicista Newtoniano-Cartesiano de fragmentação e de separatividade que leva a humanidade ao auto-suicídio, para um Paradigma Holístico fundamentado numa visão do Real, como unidade diferenciada.

O primeiro leva a uma postura pessimista e depressiva devido à sua ausência de sentido de nossa existência.

O segundo princípio leva a estabelecer como o outro, uma relação evolutiva, em que cada um aprende a transformar as crises em oportunidade de aprender a viver em plenitude.

E caso a economia não tiver soluções para todos estes problemas, haverá a possibilidade de soluções interdisciplinares dentro de uma visão holística?

Pierre Weil