MILITARES PARA A PAZ
Este foi o tema de um dos primeiros seminários organizados em 1988 pela UNIPAZ em Brasília. Naquela época, o assunto soava estranho. O tempo passou, caiu o muro de Berlim, e estamos numa situação inteiramente nova e promissora para os povos do mundo que só aspiram uma coisa: a Paz.
A aproximação dos países do mundo, a criação de blocos econômicos, fazem com que os exércitos se tornassem inúteis para a guerra, já que o perigo de guerra está desvanecendo. Ainda existem muitos focos como na Bósnia na Europa, na África e no Oriente Médio. Mesmo nestes casos, os esforços da ONU, conseguem progressivamente acabar com os conflitos. É aí que surge uma nova e inesperada função dos exércitos: eles se colocam a serviço da Paz e da sua preservação onde acabou a guerra. Inglaterra, França, Canadá, Índia mandam tropas para preservar a paz.
O resultado é a nítida diminuição da produção de armamentos. As indústrias de armas estão em crise e algumas já fecharam as portas. O presidente Chirac anunciou a redução dos exércitos e forças armadas de um terço, a supressão do serviço militar obrigatório e a sua substituição pelo serviço civil voluntário; experiências atômicas só por computador...
Algo muito profundo está acontecendo. É verdade que dificuldades surgem. Nota-se, por exemplo um efeito de estupor e de desconfianças e insegurança no povo francês, diante do desaparecimento de milhares de emprego; há os que defendem a manutenção das fábricas de armas para manter os empregos. Manifestações já tem ocorrido diante da ameaça de fechar o Arsenal de Brest que mantém empregos para diretos ou indiretos para grande parte da população, ouve-se argumentos sentimentais de que o Arsenal tem um valor histórico já que existe desde o tempo de Luiz XIV.
Outro obstáculo bastante evidente são preconceitos e estereótipos profundamente arraigados nos povos e seus dirigentes. Ouve-se muito falar em segurança nacional, defesa da pátria, force de frappe, competição armamentista. O Presidente Chirac por exemplo afirmou que a França precisava cuidar da segurança dos seus cidadãos e vencer a competição de produção de armas com outros países, chegando no futuro a ser o primeiro do mundo. Vê-se nitidamente a dificuldade de imaginar um mundo simplesmente em paz. Embora reconhecesse a diminuição do perigo de guerra, ele continua falando em defesa da Nação. A questão é saber, onde estão os inimigos?
Uma coisa é certa e constitui um grande fator de progresso: o reconhecimento no nível político do mundo, do fato de que as forças armadas e armamentos custam muito dinheiro. Para que e em nome de que? É esta a questão essencial a ser resolvida numa outra etapa.
Pierre Weil
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