MEDO DO OBSOLETO: UMA NOVA PRAGA

"Isto já está superado!"; "Já era!"; "Caiu em desuso!"; "Último modelo!". São estas, entre outras expressões, afirmações que traduzem um medo característico da nossa sociedade moderna: O medo da obsolescência.

De onde vem este medo? Como e onde ele se manifesta? É um sentimento saudável ou nocivo?

É sobretudo na indústria de produção de bens que se nota uma tendência, em virtude sobretudo da competição da concorrência, a modificar e aperfeiçoar os produtos. Assim sendo temos aparelhos de som, por exemplo cada vez mais sofisticados e melhores. O disco foi ultrapassado pela fita de gravar e esta pelo CD a laser que cede lugar para o DVD; sem dúvida o som melhorou e ganhou-se em espaço. O mesmo se dá para todo tipo de aparelho. Até aí nada de especial; pelo contrário estamos na presença de um fator de progresso.

Mas nem sempre é assim. Por exemplo: fábricas de carros cada vez mais velozes sem nenhuma utilidade, já que não somente a velocidade é controlada na estrada; andar muito rápido é muito perigoso para a vida de quem dirige, mesmo para Airton Senna... Então porque fabricar carros mais velozes. Não haverá um limite ideal a partir do qual se poderia considerar que se chegou ao razoável? No domínio dos computadores chega-se ao ponto de desaparecer toda assistência técnica para modelos superados. Por que esta pergunta? É que o medo da obsolescência leva as pessoas depois de dois anos a um hiperconsumo que faz que se jogue fora o que o pobre nem sonha ter... E além disto está se contribuindo para destruir a vida no Planeta. Pois o Planeta não agüenta mais o nível de consumo dos países ricos. Pois o consumo aumenta sob efeito da obsolescência.

Esta mentalidade obsolescência está agora invadindo o domínio das publicações científicas. Em certas universidade, não se aceita mais publicar artigos que tem citações além de cinco anos atrás. Resulta disto um corte no conhecimento da criatividade e descobertas do passado. Resulta disto o risco de reinventar e redescobrir idéias ou fatos que já foram tratados brilhantemente em outras épocas.

Pierre Weil