FANATISMO RELIGIOSO E O VERDADEIRO SENTIDO DAS RELIGIÕES

Estamos neste fim de século numa crise religiosa. Para um número cada vez maior da população do mundo ocidental, a religião perdeu o seu sentido. Muitos passaram a confundir religião com superstição. Sem dúvida a causa se encontra no fato de que um número cada vez maior de pessoas adquiriram uma educação secundária e superior onde desenvolveram um espírito crítico agudo e uma capacidade de raciocinar ímpar.

E este espírito crítico se dirige seu enfoque sobretudo nos aspectos ingênuos e infantis, em aparência, da linguagem dos textos sagrados como a Bíblia ou o Alcorão. De um lado temos as camadas ignorantes das populações do mundo que tomam estes textos ao pé da letra; muitos prontos para manter e fazer guerras santas contra as outras religiões. De outro lado temos os intelectuais, entre os quais uma grande proporção não acredita mais em nada, tornando-se materialistas inveterados.

Ambos os grupos, os ignorantes e os letrados materialistas, cometem um erro fundamental de interpretação dos textos. Estes foram redigidos em termos simbólicos pois a verdadeira natureza da experiência religiosa, que é a experiência mística ou Transpessoal era impossível de ser transmitida de outra maneira. por exemplo, ao ser perguntado porque falava sob forma de parábolas, Jesus respondeu que falava em parábolas apenas para o povo, mas que os seus discípulos diretos isto não era preciso; a linguagem era Real, experiência que ele chamava de "Reino do Pai". Esta imagem simbólica, tomada ao pé da letra, fez centenas de gerações imaginar Deus como ser barbado em cima do trono.

É preciso que as religiões tenham um ensinamento adequado ao nível de compreensão e as condições de evolução espiritual de cada pessoa. Continuar, como é infelizmente o caso atual, a falar para adultos e evoluídos, em nível de jardim de infância, é desservir a espiritualidade.

Pierre Weil