EMPRESA PARA O SÉCULO XXI

A medida que há ameaça à vida no Planeta aumenta e que nosso sistema econômico se deteriora, gerando desemprego através da automação com a conseqüente fome e miséria, corrupção e consumismo desenfreado, surge uma nova geração de empresários, sinceramente empenhados em encontrar soluções para estes graves problemas.

Sabe-se que as empresas que deixarem de ser contemporâneas do seu tempo e não se adequarem as novas condições da sua época, irão simplesmente perecer.

Como mostra Peter Drucker, foi o caso das companhias ferroviárias nos USA que faliram porque não quiseram mudar para o transporte ferroviário. Será o caso de todas as empresas que insistem em poluir, em produzir mercadorias tóxicas e destrutivas da vida ou que prestam serviços contra a ética. Basta observar o que acontece com as companhias de cigarro que estão comprando empresas de suco de fruto. O mesmo acontecerá com as fábricas de armas, já que o trabalho da ONU e a formação de blocos econômicos mundiais fomentam paz entre as nações.

Uma nova cultura organizacional está em pleno nascimento. Como mostramos o nosso livro recentemente publicado, as empresas utilizarão nas sugestões a que chamamos de "Três Pês": A atenção à Produção, à Pessoa e à Plenitude.

Dar atenção só a Produção leva a uma direção ditatorial superada pela cultura democrática do mundo ocidental. Ninguém mais quer fazer trabalho de escravo.

Dar atenção só a Pessoa sem enfatizar a necessidade de qualidade na produção, é chegar a uma mentalidade paternalista que gera passividade e recentimentos.

Aliás, atenção pelas pessoas conseguindo a sua cooperação num programa de qualidade, gera uma cultura participativa, que consegue uma ótima produtividade num ótimo ambiente de trabalho.

A questão é: Qualidade a serviço de que e de quem? Uma fábrica de armas ou de cigarros pode chegar a uma participação ótima e com isto matar mais gente...

O terceiro "P", a Plenitude, visa colocar a Empresa à serviço de princípios valores éticos como a beleza, a verdade, o amor a justiça e a liberdade.

Assim sendo, as empresas do futuro serão muito mais organismos vivos do que organizações. Serão as universidades e as catedrais de um novo tempo, um novo tempo em que o dinheiro, se ainda existir como instrumento econômico-financeiro, será considerado como um dos meios de evolução do ser humano, muito mais do que um objeto de lucro.

Pierre Weil