DEUS: REPRESENTAÇÃO INTELECTUAL OU VIVÊNCIA DIRETA DO REAL?

Se se perguntasse a um grupo de diferentes pessoas como que elas se representam e visualizam Deus, encontraríamos as mais diversas visualizações, pois cada um se faz uma imagem de Deus conforme sua educação, a sua religião, a sua crença, a sua fantasia.

De fato, esta imagem varia também conforme as épocas da história e conforme as culturas; ela varia também conforme o estágio de evolução do próprio homem. De fato todas estas imagens são condicionadas e são apenas memórias e imagens mentais. Estas imagens impedem alcançar o que se chama de Deus; são obstáculos a experiência do real, do ser; uma experiência em que o observador, o experimentador desvanece, se dissolve, pois ele mesmo é também uma representação, um pensamento condicionado.

Para as crianças e as pessoas muito primitivas, Deus representa uma força que protege a cada um e lhe dá segurança. O medo está na base desta representação; o medo dos animais selvagens, dos terremotos, das inundações, dos relâmpagos e da própria agressão humana. Diante desta necessidade de segurança, projeta-se no Divino a função essencial de proteção.

Existe, uma vez chegado a uma segurança relativa, um deus que nos proporciona prazer e alegria. Eros é a sua forma mitológica clássica . Dele espera-se um prazer permanente. Há também a visão de Deus como o poder supremo, como o todo poderoso. Alguém que pode atender a todos nossos desejos, a quem podemos chamar a qualquer hora, pois ele nos atende. A sua representação mitológica é a de um rei, de um imperador sentado num trono. É para esta forma de representação que se dirigem a maioria das preces e rezas.

Estas três primeiras formas de se representar Deus, são completamente centradas na defesa pessoal e no prazer do ego; elas acompanham a formação deste ego.

Um progresso notável se encontra quando Deus é visto como manifestação do verdadeiro e puro amor, do amor altruísta e da compaixão. Querer bem a todos os seres e querer aliviar o seu sofrimento de modo incondicional e não egoísta. É o amor de Cristo e a compaixão de Buddha. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".

Quando este sentimento desperta dentro de nós, se efetua uma transformação profunda no conceito de Deus; Ele já não é mais um conceito; ele passa a ser um sentimento de pura alegria; a alegria de dar e compartilhar alegria. Aí começa a plena realização da dança da vida. neste estágio, a pessoa se torna criativa, poética. Ela descobre que existe um espírito criador dentro dela e que este espírito é o espírito divino em ação dentro dela mesma. Ela descobre que as idéias não são dela, mas deste espírito criador. Ela toma contato com o aspecto criativo de Deus, com o Deus criador, dentro e fora dela. O individualismo do ego começa a se dissolver. Esta força criadora se manifesta também sob forma de sincronicidade, de acasos que não são acasos. Se desenvolve também a inspiração dos profetas. A pessoa adquire então, por experiência, o verdadeiro conhecimento, o da presença permanente; ela passa a saber que nunca está sozinha. O conhecimento se amplia, não só o racional, mas o intuitivo, um equilibrando o outro. Está ela a caminho da verdadeira sabedoria.

E quando amor e sabedoria se encontram, quando o masculino e o feminino se casam dentro dela mesma, a pessoa está pronta, para a verdadeira vivência do divino e descobrirá a verdadeira natureza do Espírito Divino. Isto pode acontecer sozinho, em contato com um pôr ou levantar do Sol, ao tomar uma criança no colo, durante a gravidez, num encontro amoroso, num templo ou lugar sagrado, numa sinfonia de dualidade desaparece, Tudo é um.

Pierre Weil