ANATOMIA DE UM CRIME
Na hora de ler a notícia do assassinato da Índio Galdino, chorei pois senti que algo desmoronava em mim e na humanidade.
Quando foi assassinado Izrac Rabin por um israelense fanático, um ministro declarou peremptoriamente: "A partir de hoje, Israel não será mais o mesmo...".
Pode-se dizer o mesmo do Brasil. Isto porque o evento provocou uma tristeza e consternação coletiva que se estendeu ao mundo todo. Ficou todo mundo revoltado. Mas paralelamente e posteriormente surgiram perguntas embaraçadas, pelo Governador Cristovam Buarque num artigo do Correio Brasiliense e intitulado: "Por quê?".
Por que rapazes ainda quase adolescentes, estudantes ou empregados, uns filhos de juristas, todos estimados pelos colegas e pela família, de repente, numa madrugada, jogam álcool num Índio dormindo num banco em plena praça pública e ateiam fogo.
Os argumentos espontaneamente dados por eles foram: "Foi brincadeira, a gente não queria matar, pensamos que fosse um mendigo".
No mesmo Correio Brasiliense, surgiram as primeiras reações, todas elas bastante lúcidas, expressando sentimentos profundos de consternação e de vontade de encontrar soluções.
Fernanda Lambach, da Equipe do Correio, os pesquisadores da UNB em Bioética, Volmey Garrafa e Débora Diniz, o Jornalista Luiz Jorge Natal, o Psicanalista Humberto Haydt de Melo, a Jornalista Rebeca Scatrut, Lydia Rebouças, Psicoterapeuta, Mãe e Professora na UNIPAZ, Leonor Sampaio Bicalho, Presidente do Conselho regional de Psicologia.
Quero aqui dar a contribuição da UNIPAZ, no sentido de apontar soluções, em função dos dez anos de trabalho educacional para a Paz e a não Violência. Creio que, seja muito útil e esclarecedor.
Numa primeira parte iremos dar uma visão geral deste trabalho.
Na Segunda parte iremos mostrar, como visto sob o prisma interdisciplinar e transdisciplinar, o assassinato de Galdino, encontra várias explicações e quais providências precisam ser tomadas pelas autoridades e pelo povo em geral.
Pierre Weil
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